Após anos de desgastante concorrência contra nomes poderosos como
Apple e Samsung e em má situação financeira - inclusive com grandes
cortes de pessoal, a RIM percebeu que deve reforçar sua posição onde
ainda tem presença marcante: o mundo corporativo. De olho na tendência
BYOD (funcionários usando dispositivos pessoais no trabalho), a empresa
anunciou a chegada ao Brasil do BlackBerry Mobile Fusion, solução para
administração de dispositivos móveis (MDM).
Além de aparelhos BB (smartphones e tablets PlayBook), a plataforma
permite gerenciar dispositivos Android e iOS, dentro de um console
unificado com interface web.
“As empresas têm um problema a resolver - a adoção dos dispositivos
móveis”, disse o diretor-geral da RIM para o Brasil, Peter Gould.
Segundo ele, em encontro recente com um CIO, ouviu a seguinte
reclamação: "BYOD devia chamar Bring Your Own Disaster" (traga seu próprio desastre)', ele me disse".
O Fusion é uma plataforma com três módulos: Enterprise Server, para
gerenciar smartphones BB; Device Service, para PlayBooks e os futuros
aparelhos com sistema BB10 (previstos para 2013) e Universal Device
Service, para devices iOS e Android.
O sistema permite concentrar na mesma interface todos os dispositivos de um funcionário, com uma aba do "navegador" para cada (veja imagem).
| Tela de gerenciamento do BlackBerry Mobile Fusion |
A ferramenta permite estabelecer políticas de segurança para os
aparelhos, fazer bloqueio e remoção de dados remotamente e gerenciar
aplicativos e software.
Em iOS e Android, o Fusion detecta se o aparelho possui jailbreak
(Apple) ou acesso root (Android), e avisa ao administrador. "Essas
práticas são enormes riscos de segurança, e o sistema pode barrar o
acesso do dispositivo na hora", diz Renato Martins, gerente da RIM.
Também é possível bloquear a câmera e até o navegador-padrão do
aparelho. "Mas não podemos fazer tanta coisa como em um BlackBerry",
explica Martins. "Os recursos de administração são limitados pelas APIs
oferecidas pela Apple e pelo Google", diz.
Devido a essa limitação, não é possível, por exemplo, localizar via
GPS aparelhos iOS/Android perdidos ou roubados - somente fazer o
bloqueio ou apagar todos os dados remotamente.
Em dispositivos RIM, o Fusion permite criar uma área à parte no
sistema operacional, específica para apps relacionados ao trabalho. Essa
tecnologia, chamada Balance, pode ser usada pelos administradores para
impedir compartilhamento não-autorizado de dados corporativos. É
possível, por exemplo, bloquear o envio de um e-mail do trabalho para um
endereço pessoal (GMail, Hotmail etc).
"Além disso, as áreas 'trabalho' e 'pessoal' do aparelho não se comunicam", afirma Matt Gueiros, executivo da RIM.
Produto independente
Embora não revele metas, a RIM aposta na adoção rápida do Fusion entre os clientes da empresa no Brasil, onde ela tem 250 mil servidores de e-mail BlackBerry Enterprise instalados (não revela a quantidade de clientes).
Além disso, a RIM espera competir também com outras soluções de MDM -
o Fusion é um produto à parte, que pode ser usado mesmo por empresas
que não usam a plataforma BB.
Para isso, a companhia canadense adotou uma política de licenciamento
agressiva. O Fusion e os clientes para iOS e Android são gratuitos. A
cobrança é por dispositivo ativo gerenciado, e a licença é perpétua. Os
preços começam em 256 reais cada (de 1 a 4 aparelhos) e caem até 143
reais (acima de 1000).
O BlackBerry Mobile Fusion também pode ser baixado no site da empresa. www.blackberry.com/fimdocaos. A versão vale por 60 dias e permite o gerenciamento de 60 PlayBooks e 60 devices iOS/Android.
Via: PC Word
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