Na coluna anterior vimos um tipo de acesso remoto baseado em armazenamento incorporado à rede (NAS, de “Network Attached Storage”) no qual os arquivos permanecem armazenados em um dispositivo físico de propriedade do usuário, conectado diretamente à sua rede (doméstica ou de pequena empresa) e cujo acesso é feito através da Internet (exceto pelos computadores ligados fisicamente à mesma rede onde o NAS está conectado). No caso examinado, o dispositivo foi um iX2 da Iomega, que traz com ele o software necessário para gerenciar o acesso remoto via Internet através de uma técnica que a Iomega denominou de “nuvem pessoal”.
Hoje veremos uma forma alternativa de acesso remoto a arquivos. Também é baseada naquilo que se convencionou chamar de “acesso em nuvem”. Porém, neste caso, diferentemente da tecnologia usada pela nuvem pessoal da Iomega, uma cópia dos arquivos permanece no(s) computador(es) remoto(s). Trata-se, então, de um tipo de armazenamento misto baseado em uma forma de prestação de serviços onde uma empresa oferece seus servidores, localizados fisicamente não se sabe (nem importa) onde para armazenar cópias dos arquivos dos usuários que poderão ter acesso a eles seja diretamente em seus computadores, seja através da Internet. O serviço é oferecido pela empresa DropBox.
No Brasil, que eu saiba, o Dropbox não é muito popular. Na verdade, segundo estimativas recentes, seu número total de usuários em todo o mundo alcança apenas 50 milhões. Estranhou um “apenas” precedendo uma cifra da ordem de dezenas de milhões? É que, considerando a utilidade do serviço prestado pelo Dropbox, 50 milhões é quase nada.
Dropbox é um serviço de hospedagem de arquivos baseado na Internet que usa a nuvem para permitir que os usuários cadastrados (ou seja, os que criaram sua conta Dropbox) armazenem e compartilhem arquivos e pastas com sincronização de arquivos.
O ponto mais importante do parágrafo anterior talvez não tenha chamado devidamente sua atenção, portanto é conveniente ressaltá-lo: a expressão “com sincronização de arquivos”. Isto porque, ao contrário da maioria de seus concorrentes como o Google com seu GoogleDocs, ou a MS com o Windows Live SkyDrive (cujos arquivos são armazenados exclusivamente em seus servidores, ou “na nuvem”), o que o Dropbox armazena “na nuvem” é uma cópia dos arquivos. Os originais permanecem nos dispositivos de armazenamento do computador do usuário, mais especificamente em uma pasta denominada “Dropbox”. Quando se deseja mover, remover, acrescentar ou editar um destes arquivos, isto é feito nesta pasta, que pode ser aberta como se fosse uma pasta comum no próprio Windows Explorer (isto partindo-se do princípio que o usuário esteja trabalhando com Windows; mas Dropbox é compatível com todos os sistemas operacionais de uso corrente, inclusive Linux, MacOS, Android, Windows Phone e iOS). A grande sacada é que, havendo uma conexão Internet disponível e ativa, todas as alterações feitas na pasta Dropbox do computador do usuário serão imediatamente refletidas na pasta Dropbox correspondente “na nuvem”, armazenada nos servidores do Dropbox. Ou seja: todas as pastas Dropbox de um usuário são automaticamente sincronizadas e tudo isto é feito de forma transparente, sem qualquer interferência deste usuário.
Até agora, aparentemente, o Dropbox serve apenas para criar uma cópia adicional (que funciona como cópia de segurança) de todos os arquivos armazenados na pasta Dropbox do computador do usuário.
E de fato, serve para isto. O que, diga-se de passagem, não é uma serventia desprezível. Mas este é o aspecto menos importante.
O mais importante é que, tendo o usuário aberto sua conta (o que, dependendo da capacidade de armazenamento desejada, pode ser feito gratuitamente, como veremos adiante), o programa Dropbox pode ser instalado simultaneamente em tantos computadores e dispositivos portáteis (como tabletes e telefones espertos) quantos se queira, sejam quais forem seus sistemas operacionais. E em cada um deles é criada uma pasta Dropbox, sincronizada com a mantida nos servidores da empresa. Vejamos isto com mais detalhes.
| Figura 1: página de abertura do sítio da Dropbox |
A instalação do Dropbox é feita executando-se o arquivo “Dropboxnnn.exe” (onde “nnn” corresponde ao número da versão) baixado diretamente do sítio da empresa clicando no botão “Download Dropbox” (veja figura; e, se você pretende baixar o programa e é versado em inglês, sugiro dar uma espiada no vídeo oferecido).
Na primeira instalação é necessário criar uma conta fornecendo alguns dados pessoais e escolhendo seu tipo entre “Basic” (gratuita, com capacidade de 2 GB), “Pro 50” (US$ 9,99/mês ou US$ 99,00/ano com capacidade de 50 GB) e “Pro 100” (US$ 19,99/mês ou US$ 199/ano com capacidade de 100 GB). Há ainda a modalidade “Teams” para criação de grupos de trabalho colaborativo, com capacidades maiores e administração centralizada, mas nosso foco aqui é o usuário doméstico.
Nas instalações subsequentes basta efetuar o registro (“login”) fornecendo identidade de usuário e senha.
Em qualquer caso, a pasta Dropbox é criada na unidade de armazenamento do computador onde o programa foi instalado, seu conteúdo sincronizado com a pasta correspondente no servidor da Dropbox e seu ícone exibido na Área de Trabalho.
Ao ser instalado em uma máquina dotada de razoável capacidade de armazenamento, como um computador de mesa ou móvel tipo “notebook” ou “netbook” com disco rígido ou SSD, a sincronização é completa: a pasta Dropbox criada na máquina replica exatamente a existente nos servidores da empresa tanto em estrutura quanto em conteúdo. E a partir de então toda atividade exercida em uma destas duas pastas (criação, edição, movimentação e remoção de arquivos e pastas) é refletida na outra e sincronizada com as demais. A sincronização é automática e só depende de haver uma conexão ativa à Internet.
Já nos dispositivos portáteis de pequena capacidade de armazenamento, como telefones e tabletes, é criada apenas a estrutura da pasta Dropbox que, para não desperdiçar o precioso espaço de armazenamento destes pequenos dispositivos, conterá apenas ponteiros para os arquivos, não os próprios arquivos. Mas se o dispositivo for capaz de exibir ou editar o arquivo, basta solicitar sua abertura para que ele seja imediatamente baixado via Internet (cuja conexão deve estar ativa, naturalmente) e posto à disposição do usuário. Que, após consultá-lo e, eventualmente, editá-lo, deve fechá-lo para que a sincronização seja efetuada e o arquivo descarregado da memória do dispositivo portátil, deixando livre seu espaço de armazenamento.
O resultado disto é que cada computador conterá uma pasta Dropbox com todos os seus arquivos e cada dispositivo portátil conterá a estrutura da pasta Dropbox com ponteiros para todos os arquivos. Cada uma destas pastas, quando sincronizada (e basta que o computador que a contém se conecte à Internet para que a sincronização seja feita), refletirá exatamente o conteúdo da pasta Dropbox armazenada na nuvem.
Na próxima coluna veremos como usar tudo isto em nosso benefício e como compartilhar arquivos com segurança.
Via: Techtudo
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