segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Acesso remoto: Nuvem pessoal

Eu não tenho “um trabalho”, como a maioria das pessoas. Tenho vários. Pois, além daquele trabalho diário que todos temos e cuja jornada é cumprida no chamado “horário normal de expediente”, tenho outras ocupações que se entrelaçam, como escrever quatro colunas semanais publicadas regularmente em diferentes meios de comunicação (esta é uma delas), dar aulas em duas diferentes universidades e manter tudo isto mais ou menos organizado no Sítio do Piropo. Dá um trabalho danado, naturalmente. Mas compensa. Não financeiramente, é claro. Escrever e dar aulas não são propriamente as formas mais garantidas de ficar rico, mas há recompensas melhores e mais importantes que dinheiro, como o brilho nos olhos de um aluno que acabou de entender um conceito particularmente difícil graças a uma boa explicação ou um comentário destes que se lê com prazer no pé de uma coluna.

Assim, parte do meu trabalho é feita em casa, parte no escritório e parte seja lá onde eu estiver no momento em que dispuser de um computador móvel conectado e do tempo necessário para fazer algo de útil.

O problema é que dispor do computador não basta. É preciso, também, acesso aos arquivos. E, o que é mais importante, acesso aos mesmos arquivos exatamente no estado em que estavam no momento em que os gravei pela última vez. E isto, naturalmente, deve ocorrer independentemente do lugar onde eu esteja e do computador que estiver usando. Pois não são poucas as vezes em que começo a escrever um texto em um computador, continuo em outro e faço a revisão e postagem em um terceiro. E esta é quase a regra, não a exceção.

A primeira tentativa bem sucedida de resolver o problema foi criar uma nuvem pessoal.
Já falei sobre o assunto aqui mesmo há pouco menos de um ano, na coluna “Nuvem pessoal”.  O conceito é simples: se você mantém uma pequena rede em casa ou no escritório e esta rede está permanentemente conectada à Internet por uma conexão via cabo ou ADSL (por exemplo: no Rio, Velox, em São Paulo, Speedy), pode comprar e configurar um dispositivo de armazenamento concebido para ser conectado a uma rede (um “NAS”, de “Network Attached Storage”) que venha com o software necessário para “criar uma nuvem” (ou seja, armazenar arquivos e administrar sua distribuição e acesso pela Internet). O que eu uso (e recomendo) é o iX2 da Iomega, que cria e administra aquilo que a Iomega batizou de “nuvem pessoal”, permitindo acesso aos arquivos que armazena através de qualquer computador conectado à Internet e registrado na tal “nuvem pessoal”, desde que o roteador da rede à qual o NAS está conectado esteja ligado e sua conexão à Internet permaneça ativa.

O assunto é extraordinariamente interessante e poderei abordá-lo em detalhes caso vocês, leitores, manifestem interesse (se for o caso, façam isto na seção de comentários à coluna). Mas como nesta pequena série de colunas o objetivo é descrever formas diversas de acesso remoto a arquivos, hoje seremos sucintos.
O conceito de “nuvem pessoal” da Iomega é simples. Vou usar meu próprio caso como exemplo para facilitar o entendimento. Em minha casa, ligado à minha rede doméstica, tenho um NAS da Iomega modelo iX2 onde criei pastas nas quais armazeno meus arquivos. Todo e qualquer arquivo de dados criado em qualquer dos computadores da rede é armazenado no NAS, não nas unidades de disco dos próprios computadores. O que não é problema, pois como o NAS está conectado à rede, todos os arquivos nele armazenados podem ser acessados por qualquer computador da rede, desde que o usuário disponha de privilégios para acessá-los (o direito ao acesso é gerenciado pelo administrador da rede).

Isto, naturalmente, não é uma nuvem pessoal, é apenas a base na qual ela se assentará.

A nuvem pessoal será criada pelo administrador da rede usando o software de gerenciamento do iX2 e seguindo os procedimentos devidos e indicados pela Iomega.

Criada a nuvem, basta enviar convites via Internet para os computadores remotos que dela participarão.

É claro que o procedimento é cercado de toda segurança, como esperado, mas o resultado final é o seguinte: cada computador remoto que receber um convite para se integrar à nuvem pessoal pode baixar o software de gerenciamento diretamente do sítio da Iomega e, após instalá-lo, usá-lo para se inserir na nuvem com toda a segurança. E todo computador inserido na nuvem pode acessar remotamente os arquivos armazenados no NAS de forma simples e direta, já que as pastas criadas no NAS podem ser mapeadas como unidades adicionais no gerenciador de arquivos do computador remoto (no caso de Windows, o Windows Explorer).

Figura 1: Pastas da nuvem pessoal mapeadas em um computador remoto
Figura 1: Pastas da nuvem pessoal mapeadas em um computador remoto


Veja, na Figura 1, um exemplo ilustrativo que mostra uma janela do Windows Explorer do computador “AUXILIAR”, ligado à rede do escritório, no qual estou trabalhando no momento. No painel da esquerda, as unidades “SYSTEMDISK (C:)” e “DADOS_Part (D:)” são efetivamente as unidades de disco “C:” e “D:” do computador, onde residem os arquivos de sistema e os executáveis dos programas aqui instalados. Mas todas as demais unidades que aparecem listadas em “Computador” cujo nome inicia com “BP” na verdade são o resultado do mapeamento de pastas que se aninham no dispositivo NAS, ligado fisicamente à minha rede doméstica. É neles que residem os arquivos de dados que crio quando trabalho em casa (ou em qualquer outro lugar, como já veremos).

Mas basta um clique no painel esquerdo sobre o nome de uma das unidades mapeadas para que o painel direito mostre seu conteúdo: pastas e arquivos, que podem ser acessados mediante mais um clique. Ou seja: os arquivos aparecem como se estivessem armazenados em unidades de disco conectadas diretamente a este computador do escritório em cujo teclado estou batucando no momento, quando na verdade se situam fisicamente em uma unidade de armazenamento da minha rede doméstica, distante mais de trinta quilômetros daqui.

Este arquivo no qual estou trabalhando agora poderia ter sido iniciado ontem, em casa, e gravado ainda inacabado em uma das pastas da unidade NAS. E eu poderia, ao chegar ao escritório hoje pela manhã, ligar a máquina na qual estou trabalhando, conectá-la à Internet, me registrar na minha nuvem pessoal, acessar daqui a mesma pasta onde gravei o arquivo, abri-lo e prosseguir em sua edição. Mais tarde, interrompê-la ainda inacabado, gravar a nova versão do arquivo na mesma pasta, seguir para um compromisso no Centro do Rio e, de lá, usar meu computador móvel tipo “notebook” (previamente convidado para fazer parte de minha nuvem pessoal e já nela inserido), conectar-me à Internet através da rede sem fio, digamos, de um destes cafés que também servem Internet, entrar na minha nuvem, abrir o mesmo arquivo (sempre gravado no NAS da rede doméstica), continuar sua edição e, por fim, gravá-lo em seu formato definitivo na mesma pasta da mesma unidade do NAS.

Em resumo: o arquivo permanece gravado no mesmo local, na minha unidade de armazenamento em rede da minha rede doméstica, permanentemente conectada à Internet. Eu posso ter acesso a ele, alterá-lo e regravá-lo ali mesmo seja de onde eu estiver, desde que use para isto um computador previamente inserido na minha nuvem pessoal.

Parece uma maravilha, pois não?

E é mesmo. A solução é excelente. Particularmente quando você se der conta que, como administrador do iX2, pode conceder a terceiros, seletivamente, acesso a uma ou mais pastas de sua nuvem pessoal. Desta forma, pessoas que fazem parte de sua equipe podem ter acesso imediato aos arquivos de um determinado projeto, sempre em sua versão mais atual, e caso lhe tenham sido concedidos os privilégios para tanto, modifica-los e regravá-los no mesmo local.

Mas é claro que, por mais extraordinariamente útil que seja, a rede pessoal não é perfeita e tem lá seus inconvenientes. Dos quais o principal é exigir que o computador no qual se pretende abrir um determinado arquivo armazenado na nuvem esteja conectado à Internet no momento em que se precisa fazer o acesso.
Na próxima coluna veremos uma solução alternativa que contorna esta dificuldade (mas, naturalmente, apresentará outras).

Via: Techtudo

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