Muita gente não sabe, mas a internet como temos hoje só foi possível
graças as filosofias de liberdade de software. Quando um dos
pesquisadores do MIT, Tim Berners-Lee em 1994, idealizou o que poderia chegar a ser a internet mundial, fundou o W3C (World Wide Web Consortium)
para garantir que os padrões da web seriam sempre abertos e baseados em
tecnologias livres de royalites, a fim de que pudessem ser adotados por
qualquer um, em qualquer lugar e para qualquer finalidade.
E foi justamente por esta e outras iniciativas baseadas nos primórdios do que seria o Software Livre, como a fundação da FSF (Free Software Foundation)
por outro funcionário do MIT, que propiciaram o mundo globalizado e o
vasto compartilhamento de conteúdo que nossa era tem experimentado.
Porém o mundo não é a maravilha que parece ser. Como as gigantes da
computação não conseguiram ganhar dinheiro com royalites de linguagens
fechadas (se bem que algumas delas até tentaram, como foi o caso da
Adobe, que “forçou” o uso do Flash
na web durante muito tempo), decidiram criar um verdadeiro paradoxo,
desenvolvendo softwares proprietários para se programar em linguagens
abertas, para uma web totalmente aberta.
Mas o que são os Softwares Livres?
O conceito de software livre foi desenvolvido em 1983 por Richard Stallman,
fundador da FSF, após ter tido um problema com um driver de uma
impressora Xerox e não ter conseguido acesso ao seu código fonte para
corrigí-lo. Já o conceito de Open Source foi concebido posteriormente
com a criação da OSI (Open Source Initiative).
Eles são nada mais que uma forma de manifestação de um software em
que, resumidamente, permite-se adaptações ou modificações em seu código
de forma espontânea, ou seja, sem que haja a necessidade de solicitar
permissão ao seu proprietário para modificá-lo. Os softwares livres se
diferem dos softwares abertos (open source) pois estes, apesar de também
serem abertos e permitido o estudo de seu código fonte, estão sob
licenças que não respeitam as 4 liberdades do software livre, as quais
veremos à seguir:
- Liberdade 0:liberdade para executar o programa, para qualquer propósito;
- Liberdade 1: liberdade de estudar o software;
- Liberdade 2: liberdade de redistribuir cópias do programa de modo que você possa ajudar ao seu próximo;
- Liberdade 3: liberdade de modificar o programa e distribuir estas modificações, de modo que toda a comunidade se beneficie.
As filosofias de liberdade de software surgiram início da década de
80, onde o conceito de web e internet também estavam no início do seu
desenvolvimento, com a “abertura” da ARPA para se tornar o que temos
hoje como a Rede Mundial de Computadores (saiba mais sobre a história de internet aqui).
Como comentamos antes, as ideologias de liberdade no campo da
tecnologia influenciaram amplamente à concepção do que viria ser a
internet, seja na liberdade das linguagens e protocolos até na liberdade
de acesso, uma vez que durante os primórdios do seu desenvolvimento se
entendeu que uma rede global de computadores não poderia ficar somente
nas mãos dos órgãos de defesa dos EUA ou ainda de instituições de ensino
e pesquisa.
Software Livre vs. Software Proprietário
Muita gente acha que ao se defender o uso dos softwares livres não se
reconhece a qualidade e/ou importância dos softwares proprietários, e
isso não é verdade. Existem softwares proprietários que são incríveis e
excelentemente funcionais, apesar de serem fechados. A grande temática
do software livre (e aqui também podemos incluir os softwares open
source) é a colaboração e o compartilhamento. No caso de softwares
proprietários, o usuário só consegue utilizá-lo da forma como foi
liberado. Não existe a possibilidade de se melhorar nada na aplicação,
reportar um bug ou ainda estudar o código do software.
Outro ponto que devemos levar em consideração são o preço das
licenças. Uma micro empresa de desenvolvimento web que quer andar na lei
(muita gente ignora isso mas pirataria é crime!) gasta anualmente em
média 20.000 reais em licenças de software, sendo que a grande maioria
das demandas (e por que não dizer todas?) poderiam muito bem serem
feitas utilizando softwares livres.
Até aqui tudo bem, mas quais as opções de software livre que eu tenho?
Abaixo vou apresentar à vocês alguns softwares livres e open source
para desenvolvimento web. Todos eles estão disponíveis para Windows,
Linux e OS X. Vamos lá:
NetBeans
O NetBeans é um ambiente de desenvolvimento integrado (IDE) gratuito e
open source desenvolvido pela Oracle para desenvolvedores de software
nas linguagens Java, C, C++, PHP, Groovy, Ruby, entre outras. Ele
oferece aos desenvolvedores ferramentas necessárias para criação de
aplicativos multiplataforma profissionais para Web, Desktop e Mobile.
Site: https://netbeans.org/
Eclipse
O Eclipse é um IDE open source para desenvolvimento Java, porém
suporta várias outras linguagens a partir de plugins como C/C++, PHP,
ColdFusion, Python, Scala e plataforma Android. Atualmente faz parte do
kit de desenvolvimento de software recomendado para desenvolvedores
Android.
Zend Framework
O Zend Framework é um framework para aplicações Web, orientado a
objetos, implementado em PHP 5 e licenciado sob a New BSD License. Zend
Framework—freqüentemente referido como ZF—é desenvolvido com o objetivo
de simplificar o desenvolvimento web enquanto promove as melhores
práticas na comunidade de desenvolvedores PHP.
Blue Griffon
O BlueGriffon é um software livre WYSIWYG, multiplataforma, destinado
a edição HTML. Ele está em conformidade com os padrões web
estabelecidos pela W3C e pode ser usado para criar e editar páginas em
HTML 4, XHTML 1.0, HTML 5 e XHTML 5. Ele suporta CSS 2.1 e todas as
especificações do CSS 3 já implementadas pelo Gecko. O BlueGriffon
também inclui editor SVG, um editor XUL baseado em SVG, que era
originalmente distribuído como um add-on para Firefox e foi adaptado
para BlueGriffon.
Site: http://bluegriffon.org/
Brackets
O Brackets é um editor open source para HTML, CSS e
Javascript com um foco primário em Desenvolvimento Web. Ele foi criado pela Adobe Systems, licenciado sob a licença MIT, e é atualmente mantido
no GitHub.
Site: http://brackets.io/
Bom pessoal por hoje vamos parar por aqui. No nosso
próximo post iremos comentar sobre os poderosos CMS e as as incríveis
coisas que podemos fazer com ele na web.
Via: SejaLivre
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