Nos horários de pico, o Netflix responde por cerca de um
terço do tráfego de Internet entre consumidores na América do Norte. Na
última semana, um dos engenheiros da empresa descreveu como o serviço
leva todos esses filmes e séries para a sua tela.
A companhia opera a sua prória rede de entrega de conteúdo
(CDN), uma rede global de servidores de armazenamento que fazem cache
de conteúdo perto de onde ele será visualizado. O cache local reduz os
custos de banda e facilita aumentar a escala do serviço em uma área
ampla.
O Netflix costumava depender de provedores terceirizados
como Akamai e Level 3 para fazer esse trabalho de cache, mas há dois
anos começou a construir sua prórioa rede CDN, chamada de Open Connect.
Agora entrega todo o conteúdo por essa rede, explica o diretor de
arquitetura de entrega de conteúdo do Netflix, David Fullagar, em uma
palestra durante a conferência de data centers do Uptime Institute, nos
EUA.
O Netflix também desenvolve seu próprio hardware de
armazenamento, feito sob medida para streaming de vídeo. A empresa usa
dois tipos de servidores, um baseado em drives de HD e outro em flash
drives; ambos são otimizados para uso em alta densidade e baixo consumo
de energia.
Os mais usados são os sistemas de hard drive. Eles colocam
36 discos de 8,9 centímetros em um servidor de cerca de 15 centiímetros
de altura (unidades com quatro racks) e 60 cm de profundidade. Cada
servidor armazena cerca de 100TB de dados e realiza streaming de 10 mil a
20 mil filmes ao mesmo tempo, afirma Fullagar. Existem cerca de mil
sistemas de armazenamento no total em sua rede, explica.
O Netflix atualiza seu design de hardware cerca de uma vez
ao ano com os drives mais recentes e processadores Intel que consomem
menos energia. Ela carrega os servidores com filmes e séries de TV antes
de enviá-los, porque mesmo em redes de alta velocidade leva tempo para
carregar 100TB de conteúdo remotamente.
Os servidores rodam principalmente software de código
aberto – sistema operacional BSD, nginx Web server e o software de
roteamento BIRD – com uma camada do Netflix por cima.
O Netflix possui uma biblioteca gigante de conteúdo –
mais de um petabyte – então durante os períodos mais calmos entre a
meia-noite e a hora do almoço “pré-carrega” os servidores com o conteúdo
que pensa que as pessoas vão querer assistir, reduzindo a largura de
banda nos horários de pico.
O conteúdo ainda precisa sair da CDN para os usuários
finais, e é carregado pelos ISPs locais (provedores de serviço de
Internet), que se conectam à CDN de uma entre duas maneiras.
Atualmente a empresa tem servidores em 20 locais
diferentes de transmissão, e “muitas dezenas” de provedores de Internet
também os possuem no local, diz Fullagar. Para o provedor, ter o
conteúdo no local reduz seus custos de largura de banda.
Existem muitas razões para o Netflix operar sua própria
rede de entrega de conteúdo. Com o seu serviço por respondendo por uma
porção tão grande do tráfego dos provedores, é melhor ter uma relação
direta com elas do que trabalhar por empresas como a Akamai.
Também dá ao Netflix controle “ponto a ponto” da sua rede,
fornecendo mais oportunidades para otimizar o sistema. Seus servidores
são feitos para o streaming de filmes, por exemplo, com seus discos
colocados cuidadosamente deitados para minimizar “pontos de calor”, ou
áreas de superaquecimento.
A empresa também faz vários tipos de mapeamento
inteligente na rede, para descobrir os melhores locais para fazer o
streaming de cada filme. O Netflix possui cerca de 50 milhões de
assinantes, na América do Norte, América do Sul, e em partes da Europa, e
deve expandir isso no futuro próximo.
O Netflix também usa o Amazon Web Services, para tarefas
como rodar seu site e seu mecanismo de recomendações. Além disso, os
estúdios de cinema fazem upload de seus conteúdos para o serviço na
nuvem da Amazon, onde o Netflix os codifica para o seu formato antes de
distribuir para as suas redes.
“Enquanto que com a Amazon nós somos um cliente
relativamente pequeno, pelo lado da CDN nós somos um player muito
grande”, explica Fullagar.
Cerca de 40 pessoas trabalham na rede, diz, com metade
focadas em software, enquanto que o restante é dividido entre 10
engenheiros de rede e 10 ligados a operação.
Mas construir a rede própria de conteúdo não foi uma
tarefa fácil. Na época que o Netflix começou a liberá-la, há cerca de
dois anos, a Tailândia foi devastada por inundações que destruíram
grande parte do fornecimento de discos rígidos do mundo. “Não diria que
nos tirou do caminho, mas foi problemático”, lembra o executivo.
Via: IDGNow
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