O Laboratório Digital deste mês é especial. Pela primeira vez um teste científico da qualidade do recém-lançado 4G brasileiro é aberto ao público; e não qualquer público, mas você, fã do Olhar Digital. A tecnologia móvel desenvolvida para atingir altas taxas de transmissão de dados já está em uso em algumas cidades; e, aqui em São Paulo, testamos a qualidade do 4G de três operadoras: Claro, Tim e Vivo – que são as únicas que oferecem o 4G na cidade. A Oi ainda não tem rede 4G por aqui.
Foram mais de doze horas de testes para comparar
diversos parâmetros dos serviços de dados. A metodologia dos testes
reflete exatamente a experiência do usuário em determinadas regiões.
Fizemos os testes em cinco locais diferentes: avenida Paulista, região
da avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, imediações do Aeroporto de
Congonhas, parte da avenida 23 de Maio e aqui perto do Olhar Digital,
nas proximidades dos shoppings Morumbi e Market Place. O critério para a
escolha desses lugares levou em consideração uma amostragem onde a
necessidade do 4G se faz presente; ou seja, com alta concentração de
potenciais usuários.
As medições foram conduzidas em um software
específico e profissional de Drive Test; neste caso o Nemo Outdoor, da
empresa Anite. Para entender do que se trata, na tecnologia celular, o
aparelho e a rede ficam constantemente trocando informações. Mesmo
quando não está sendo utilizado, o telefone precisa, por exemplo, saber
qual antena oferece o melhor sinal para se conectar quando solicitado. O
instrumento de Drive Test identifica e codifica essas informações
trocadas pelo aparelho e a rede móvel. E são esses dados que medem o
desempenho de cada rede e também servem para que sejam feitos ajustes e
melhorias.
Os aparelhos usados foram o novo Samsung Galaxy S4
i9505 – todos os aparelhos exatamente com a mesma configuração. Nas
lojas de cada operadora (Claro, Tim e Vivo), compramos chips 4G com
capacidade de 10 GB cada; tudo igualzinho. Por último, a empresa que
realizou esse teste – a Gladiator Innovations – aplicou sua plataforma
exclusiva para análise de dados para compilar todas essas informações.
Mais uma vez: os telefones foram usados como um usuário comum utilizaria
sem qualquer modificação.
Para avaliar cada região escolhida, o equipamento de
Drive Test realizou diversos e simultâneos downloads de arquivos de 20
MB e uploads de arquivos de 5 MB; todos idênticos para todas as
operadoras a partir de um servidor dedicado com link de 100 Mbps
gentilmente oferecido pela Megalink. A cada conexão FTP realizada,
diversos parâmetros da conexão foram avaliados: nível de sinal,
qualidade do sinal, tempo que o aparelho operou em 4G e velocidade de
transmissão de dados... então, vamos para o que interessa: hora dos
resultados.
O nível de sinal são aquelas barrinhas que a gente vê
crescer ou diminuir na tela do aparelho. Essa informação visual nem
sempre significa que a rede está funcionando, mas é um dos parâmetros
avaliados na tecnologia de banda larga móvel de quarta geração; afinal,
quando não há sinal, não há serviço. O nível de sinal indica o acesso à
rede. O melhor nível de sinal 4G foi da Vivo, que esteve bom em 76,47%
do tempo testado; a TIM veio em seguida, com 67,1% e, por último, a
Claro, com sinal bom em 57,52% dos testes.
Na prática, a taxa de qualidade está um degrau acima
do nível de sinal. Este parâmetro avalia a interferência sofrida pela
rede 4G de cada operadora. Às vezes, mesmo que o nível de sinal esteja
muito bom, se a região tiver muita interferência, o 4G não vai funcionar
bem. O contrário também é válido; às vezes um sinal limpo e sem
interferência funciona melhor, mesmo que o nível esteja baixo. A TIM
apresentou melhor qualidade de sinal, ou seja, o sinal mais limpo – isso
correspondeu a 55,17% dos testes. A Claro apresentou boa qualidade do
sinal em 47,10% do tempo; e a Vivo, muito perto, em 45,33% das medições.
Como os testes avaliaram a experiência do usuário
comum, os telefones não foram travados para trabalhar apenas em 4G; ou
seja, quando não havia sinal na tecnologia, os aparelhos automaticamente
buscavam o 3G ou o 2G, respectivamente, para realizar seus downloads e
uploads. Neste quesito, Claro e Vivo ficaram bastante próximas; a Claro
operou em 4G em 99,76% das medições; e a Vivo em 93,3%. Já a TIM deixou a
desejar, e ficou em 4G apenas 39,96% dos períodos de testes.
Bom, na teoria, mas realmente só na teoria, o 4G-LTE é
uma tecnologia que pode atingir velocidades de download de até 100
Mbps. Mas na realidade a história é outra. Por exemplo, dê uma olhada
neste gráfico: ele mostra a velocidade média do 4G em alguns países onde
a tecnologia já funciona há algum tempo. Varia dos sete megabits por
segundo no Japão e chega no pico de 22 megabits por segundo na Suécia;
mas por esses dados, a média mundial fica em torno de 16 megabits por
segundo. Vale destacar: com velocidade entre 6 e 10 megabits por
segundo, você é capaz de publicar um foto no Facebook em menos de um
segundo e começar uma transmissão de vídeo em alta definição em menos de
um minuto.
Nos nossos testes, a Claro foi a operadora que
apresentou maior velocidade, com média de 9,8 megabits por segundo de
download e 9,6 de upload. A Vivo veio logo em seguida, com 6,3 megabits
por segundo de download e 4,8 de upload. Já a TIM, pior surpresa, no 4G,
tanto para upload, quanto para download a velocidade foi zero! Assim, a
TIM se conecta ao 4G – é verdade, mas, na prática, ainda não opera na
tecnologia.
É importante lembrar que outros usuários podem não
encontrar estas mesmas taxas de dados do teste realizado pela Gladiator;
isso, porque as velocidades podem variar dependendo de uma série de
fatores, como: condições da rede, interferências, aparelho usado e ainda
diversas situações ​​ambientais e topográficas. Resumo: a TIM ficou
com o terceiro e último lugar. Ainda que a operadora já tenha uma rede
4G disponível em São Paulo, nos pontos testados naquele dia ela
simplesmente não funcionou – ainda que tivesse nível de sinal e até alta
qualidade desse sinal. A Vivo ficou com o segundo lugar; a operadora
apresentou o melhor nível de sinal, trabalhou em 4G quase todo o tempo e
ofereceu velocidades de download e upload intermediárias, mas já muito
acima do que estamos acostumados com o 3G. E a grande vencedora deste
Laboratório Digital 4G foi a Claro; ainda que o nível de sinal não tenha
sido tão alto, a qualidade do sinal da Claro foi muito bom. O aparelho
com o chip da operadora ficou mais de 99% do tempo em 4G e as
velocidades chegaram bem perto dos 10 Mbps – uma velocidade compatível
com a média mundial da tecnologia.
Nós aproveitamos nossa visita e conversamos com um
dos fundadores da empresa que realiza testes como este não só no Brasil,
mas em outras partes do mundo. Morando nos Estados Unidos, ele tem uma
visão interessante sobre a qualidade dos serviços de telefonia móvel no
Brasil.
Via: olhardigital
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