Parece que o Windows 8 implodiu os pilares de design que sustentavam
os grandes fabricantes de notebook. Toda sorte de máquina bizarra surgiu
desde sua introdução: telas que giram 360°, teclados destacáveis e
deslizantes, touchpads invertidos, enfim, tudo que pudesse aproveitar a
nova interface sensível ao toque foi tentado. Esse período de
experimentação é sem dúvida fascinante, mas nem sempre produz resultados
satisfatórios. Até recentemente, eu não havia encontrado nenhuma
mistura completamente aceitável entre os formatos de tablet e de
notebook. Mas tudo indica que a Lenovo está se aproximando da medida
certa para esse coquetel e a maior prova disso é o ThinkPad Helix.
Um dos maiores problemas enfrentados pelos híbridos é o relacionamento entre a tela e o teclado. O IdeaPad Yoga,
por exemplo, era um excelente notebook que se transformava em um tablet
quase inutilizável por causa do teclado fixo. O Helix, por sua vez,
aposta na solução do teclado destacável para tornar o modo tablet
viável. Outros, como Envy X2, trilharam
esse mesmo caminho, mas a Lenovo se diferencia por dar um tratamento
excepcional para o mecanismo de conexão entre tela e teclado, que é
simplesmente o melhor que já experimentei.
É impressionante como a ligação entre os dois é ao mesmo tempo sólida
e facilmente interrompida (basta pressionar uma trava bem sinalizada na
lateral esquerda). O mecanismo é tão versátil que o tablet pode ser
encaixado com a tela voltada para a mesma direção do teclado, de modo
que o conjunto todo assume a forma de um tablet grandalhão.
Ao contrário do que costuma ocorrer com híbridos destacáveis, a
Lenovo não negligenciou nem um pouco a metade notebook da máquina.
Seguindo a tradição da linha ThinkPad, o Helix possui um teclado
primoroso e um touchpad sem igual na categoria. Além de reconhecer
vários gestos de comando, esse touchpad se distingue por adotar uma
construção flutuante: seu botão interno pode ser pressionado em qualquer
ponto, incluindo a seção superior.
Por dentro, a Lenovo decidiu utilizar uma configuração de ultrabook. O
Helix que estamos testando se vale de um processador Core i5 de baixa
voltagem, 4 GB de RAM e 256 GB de SSD. Claro, essa escolha prejudica a
autonomia da bateria, mas também torna a máquina bem mais potente do que
qualquer concorrente que utilize um Atom. De qualquer maneira, a Lenovo
incluiu outra bateria na dock do teclado, o que deve amenizar um pouco
esse problema.
O ThinkPad Helix ainda não é perfeito. Ele é um tanto pesado para um
tablet e o formato
de tela 16:9 não é o mais adequado para se segurar
nas mãos. Ainda assim, a Lenovo com certeza está no caminho certo. O
único problema é que quem quiser experimentar o futuro dos híbridos terá
que pagar pelo menos 6 mil reais.
Via: InfoAbril
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