Pesquisadores demonstraram durante uma apresentação na conferência
hacker Black Hat como a tecnologia femtocell, usada por empresas para
aumentar a cobertura de telefonia celular, pode ser hackeada com o
objetivo de interceptar chamadas, mensagens de texto e outros dados.
Tom Ritter e Doug DePerry, pesquisadores do ISEC Partners, usaram a
femtocell da Verizon para demonstrar como crackers podem espionar as
conversas telefônicas e ver mensagens de texto e fotos enviadas ou
recebidas por usuários de telefones celulares nas proximidades.
As femtocells usadas por outras operadoras de telefonia celular podem
ser exploradas da mesma forma, enfatizarão os pesquisadores durante a
apresentação.
Femtocells são pequenas estações-base de baixo consumo de energia
fornecidos por empresas de telefonia para ampliar a cobertura celular,
especialmente no interior de edifícios e instalações com cobertura
irregular. Os dispositivos usam serviços de cabo ou DSL para se conectar
à rede dos prestadores de serviços.
Telefones celulares próximos se conectam automaticamente a femtocells
se ambos são da mesma operadora. O aparelho envia todo o tráfego por
meio da femtocell.
Ritter e DePerry conseguiram acesso com privilégios de administrador
(root) ao sistema operacional Linux usado na femotcell da Verizon pela
interface do dispositivo via porta HDMI na base do sistema. Em seguida,
eles usaram o acesso root para ajustar a femtocell com o objetivo de
interceptar mensagens de texto e de voz de telefones celulares
conectados ao dispositivo.
Como parte da demonstração, os pesquisadores interceptaram mensagens
de texto enviadas por alguns dos convidados na plateia e reproduziram o
áudio de um telefonema feito por um dos pesquisadores durante a
demonstração. Eles também mostraram como o acesso root numa femtocell
pode ser usado para clonar celulares ligados ao dispositivo.
Os pesquisadores observaram que a Verizon corrigiu a falha em suas
femtocells depois de a empresa ter sido notificada. Mas acrescentou que a
tecnologia de outros fornecedores são vulneráveis ao mesmo tipo de
exploits.
Alex Watson, diretor de pesquisa de segurança da Websense Inc disse
que o estudo feito por Ritter e DePerry mostra como as redes celulares
são tão suscetíveis a vulnerabilidades de segurança como as redes sem
fio.
O especialista observou que os prestadores de serviços cada vez mais
estão implantando femtocells para expandir sua cobertura, expondo uma
grande quantidade de usuários a potenciais hacks.
"Eles mostraram que as redes celulares não são à prova de balas.
Mostraram que as tecnologias de celulares têm falhas e não podem ser
consideradas como perfeitas", disse.
Gerentes de segurança de TI devem prestar atenção a tais riscos e
assegurar que os celulares que se conectam à rede corporativa possuem
múltiplas camadas de proteção, incluindo a criptografia de dados em
repouso e em transmissão.
Via: IDGNow
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