| Steamcyberpunk, ou algo assim |
Quando eu era jovem e tinha cabelos, gostava muito de jogar RPG no
mundo cyberpunk. Neste universo, situado em um futuro não muito
distante, a interação homem-máquina é cotidiana, quase orgânica.
Será comum, por exemplo, que tenhamos chips implantados na pele. Eles
servirão para monitoramento de nossa saúde, para check-in no Foursquare
e, claro, para identificação pessoal. Pensou no BigBrother (não o
maldito programa de TV, mas no livro)? Pensou certo.
O fato é que esse cenário se aproxima. Pesquisadores americanos
desenvolveram circuitos integrados que podem se prender à pele – como
uma tatuagem de chiclete Ploc – e, em alguns casos, podem sair no banho.
Esses “chips biológicos” podem ajudar a diagnosticar e tratar
doenças, disse o professor de ciência dos materiais John Rogers, da
Universidade de Illinois. Ele descreveu a pesquisa em uma conferência do IEEE.
Rogers (sempre lembro do Buck) e seus alunos querem cruzar as
fronteiras entre biologia e eletrônica, criando “eletrônicos
epidérmicos” – chips macios e flexíveis, duráveis o suficiente para
serem usados como “segunda pele”.
Os circuitos são tão finos que, quando descolados do corpo, parecem
pele morta (irc) – um emaranhado de fios que só podem ser vistos no
microscópio.
Coração eletrônico
Rogers imagina esse emaranhado sendo colocado em torno do coração como “um pericárdio eletrônico” para corrigir batimentos. Hum, seems legit.
O silício é muito rígido para ser moldado no corpo, mas cortado em
espessura nanométrica (bilionésimos de metro), ele vira uma membrana
flexível.
Mesmo assim, essa membrana é frágil e precisa de um substrato de
borracha. Para que possa ser esticado, os fios são dispostos em forma de
nervuras que podem flexionar para frente e para trás, como uma sanfona
eletrônica (ou algo assim)
Os circuitos podem ser aplicados como uma tatuagem temporária
colocando-os sobre a pele e umedecendo o suporte, solúvel em água. O
circuito resultante tem cerca de 5 microns de espessura (1 micron
equivale a 1 milésimo de milímetro) e pode esticar uns 30%.
Vai com o banho
Os pesquisadores também estão trabalhando em circuitos “transitórios”, que dissolvem na água.
O silício, ao que parece, é solúvel em água quando em espessura
mininanomínima (ok, o termo não existe). Uma lasca de silício de 35
nanômetros de espessura, por exemplo, some em cerca de duas semanas,
disse Rogers. O substrato pode ser feito de seda, de magnésio, de
dióxido de silício ou qualquer outro material que também seja solúvel,
desde que suficientemente fino.
Os circuitos solúveis têm menos magnésio, silício e outros minerais
que a quantidade presente em um comprimido diário de vitamina, de modo
que eles são seguros para o corpo, disse Rogers. Para ilustrar sua tese,
o professor produziu e depois engoliu um pequeno oscilador de RF de 5
milímetros de diâmetro.
Uma possível aplicação do sistema eletrônico solúvel é ajudar a
prevenir infecções formadas em locais pós-cirúrgicos. Um dispositivo
pode ser implantado na ferida e programado para emitir rajadas de calor
suficientes para matar as bactérias. Como o dispositivo se dissolve, não
há necessidade de nova cirurgia (o que significaria mais riscos de
infecção) para removê-lo.
Eletrônicos solúveis podem também ser utilizados para fins não
médicos, tais como monitoramento ambiental em um derramamento químico.
Ou eles poderiam ser usados em eletrônicos de consumo para reduzir
resíduos perigosos.
Rogers recebeu o prêmio de 500 mil dólares da Lemelson-MIT em 2011 por seu trabalho em bio-eletrônica
Via: IDG Now
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