Nesta semana, uma nova rede social tem crescido em interesse e em usuários. Chamada Ello, o
principal atrativo é ser assumidamente livre de propagandas, o que
também faz com que os dados de seus usuários não sejam vendidos para
outras empresas.
“Nós percebemos que uma rede social que tem propagandas é criada para
anunciantes, não para pessoas. Todos os nossos movimentos eram
rastreados e armazenados, e todos os posts que fazíamos eram lidos e
vendidos a outras empresas (…)”, explica o FAQ do Ello,
numa clara referência ao Facebook. Não é novidade para ninguém que a
rede social de Mark Zuckerberg escorrega feio quando o assunto é a
privacidade de seus usuários.
O Ello foi criado por um grupo de designers e artistas “conhecidos”
que buscavam um espaço simples, belo e sem propagandas para dividir suas
criações com o mundo e conversar com os amigos. Tanto que, apesar de
estar em crescimento, ele ainda está em fase beta, com novos recursos
sendo acrescentados diariamente e uma extensa lista de espera para fazer
parte dele. Está tão popular que há pessoas vendendo convites no eBay.
Graças ao nosso leitor Elton Silva, que disponibilizou alguns convites no grupo do Tecnoblog, consegui entrar no Ello e ver qual é a dessa nova rede social.
Como toda rede social, é difícil se acostumar ao layout e às
funcionalidades logo de cara. O Ello é bem minimalista, com uma
interface que está mais para Tumblr que para Facebook. O conteúdo, idem:
encontrei um sem-número de fotos bem tiradas e imagens com efeitos e
frases escritas por cima, mas talvez sejam características dos perfis
que resolvi visitar. Em todo caso, mostra o apelo artístico que a rede
tem, pelo menos neste início.
Você pode seguir perfis de duas maneiras. O Ello te dá duas listas: a
primeira, Friends, mostra as atualizações de seus amigos na ordem, sem
perder nenhum post – perfeito para quem reclama da (falta de)
inteligência do algoritmo do Facebook. A segunda, Noise, traz o conteúdo
em um grid, e não mostra necessariamente todos os posts de quem você
decidir por lá.
De cara, você tem, no Friends, a pessoa que te convidou e, no Noise, o
próprio perfil do Ello. Em Discover (é um dos ícones ali na esquerda,
em cima dos nomes das listas) você pode encontrar perfis indicados e
utilizar a busca para encontrar amigos.
Torço pelo sucesso do Ello, mas é uma coisa pessoal: quero abandonar o
Facebook, mas todos os meus amigos estão lá e não tenho uma
alternativa tão completa quanto ele. Dependo da rede para acessar grupos
de discussão, ficar sabendo de eventos, divulgar algo novo… E me
incomoda muito saber que tudo que eu faço lá – até mesmo deixar o mouse
parado ou digitar algo e apagar em seguida, antes de publicar – é
utilizado como mercadoria por ele. Se o Ello crescer a ponto de ter
tantas funcionalidades quanto o Facebook, pode ser que a migração em
massa, que foi iniciada com a comunidade LGBT irritada com
a obrigatoriedade de utilizar nomes verdadeiros (especialmente as drag
queens), continue.
Mas, para crescer, é preciso ter dinheiro. O plano do Ello é
disponibilizar alguns recursos pagos no futuro; ao vinculá-los à sua
conta, você ganha a possibilidade de melhorá-la em algum aspecto e ajuda
a manter o serviço, que continuará gratuito, no ar.
Os criadores da rede sabem que esse modelo não os levará aos bilhões
do Facebook, mas esse não é o objetivo deles – e, normalmente,
aproveitam para alfinetar a outra rede social: “Não estamos interessados
em dominar o mundo. Achamos que as pessoas que são motivadas a fazer
esse tipo de coisa têm problemas psicológicos mal resolvidos”. Mas
talvez essa postura também lhes custe a escalada das redes sociais, já
que novos recursos (e usuários) custam dinheiro.
Estando em versão beta e sendo tão recente, com recursos tão
limitados, é bem ousado acreditar que o Ello pode fragilizar o Facebook.
Entre as próximas melhorias da versão beta, o Ello promete bloquear
usuários, flaguear conteúdo inapropriado, posts automáticos em outras
redes sociais, repostagem e apps para Android e iOS – nada além do
essencial para uma rede social.
Outros sites já tentaram, inclusive com o tom de exclusividade do
Ello (que só aceita novos membros por meio de convite, prevenindo
spammers e mantendo-a, de certa forma, só entre conhecidos), e não
conseguiram. Mais completas, como o Google+, também falharam. Mas, com a
popularidade da rede de Zuckerberg fragilizada e perdendo cada vez mais
usuários, a começar pelos jovens, é bom ficar de olho no que as novas
irão propor – e no que o próprio Facebook irá fazer para freá-las.
Se quiser experimentar o Ello, pode pedir um convite por aqui ou
descobrir algum amigo que já está na rede social e pode enviar os
convites; cada um tem direito a cinco e é só clicar em Invite, no lado
superior esquerdo, para enviá-los por email aos escolhidos.
Via: Tecnoblog



Nenhum comentário:
Postar um comentário