A Apple negou neste sábado as acusações feitas por uma reportagem da
TV estatal chinesa de que esteja usando seus iPhones para rastrear e
armazenar dados sobre a localização dos usuários chineses de iPhones
utilizando o recurso de Frequent Locations (Locais Recentes) do iOS 7.
A empresa publicou no seu site chinês um texto esclarecendo que o
recurso armazena os dados do usuário apenas no dispositivo do usuário e
não os envia à Apple. "Frequent Locations são armazenados apenas no
dispostivo iOS do usuário. Eles não são enviados para o iTunes ou para o
iCloud e são criptografados", diz a tradução do texto publicado pela
Apple no seu site na China.
"A Apple não coleta ou conhece os Locais Frequentes e esse recurso
pode ser desligado pelo usuário nos ajustes de privacidade do
dispostivo. A Apple não tem acesso ao recurso e nem ao cache que
armazena os dados no dispositivo do usuário", completa o texto.
Entenda a história
Na sexta-feira, 11/07, a CCTV (China Central Television) apresentou
uma reportagem que atacava o recurso de Locais Frequentes do iOS 7, que
basicamente armazena a localização geográfica do usuario do iPhone e
quanto tempo ele permaneceu em cada local. A funcionalidade foi
projetada para que o dispositivo possa aprender sobre a movimentação do
seu usuário e, de forma preemptiva, prover informações sobre localização
geográfica de locais para onde ele vai e quanto tempo ele pode levar
para chegar lá.
"Mesmo quando esse recurso é desligado pelo usuário, a informação
ainda vai ser gravada. Usando esse recurso, alguém pode saber a
atividade do dono do smartphone, seu local de trabalho, seu endereço
residencial e, com isso saber tudo sobre ele", dizia a reportagem da
CCTV. Um pesquisador entrevistado pela TV estatal aprofundou as
acusações afirmando que "trata-se de dados extremamente sensíveis" que
poderiam até "revelar segredos de Estado".
Resposta rápida
O fato da Apple ter corrido para apagar o incêndio mostra o quanto a
China é importante para a companhia como mercado: nos últimos quatro
trimestres, as vendas correspondentes à região "Greater China", que
abrange a China, Hong Kong e Taiwan, respondeu por 16,2% da receita
total da companhia. No trimestre que se encerrou em 31 de março, a
divisão Greater China contribuiu com 20,4% de todas as vendas da Apple
no período.
Por conta disso, a Apple escolheu cuidadosamente as palavras que usou
no seu texto de esclarecimento. O segundo parágrafo do texto começa com
"Nós apreciamos os esforços da CCTV em educar os consumidores sobre o
uso de um tópico que consideramos muito importante".
A Apple também respondeu à preocupação de que os dados de localização
coletados pelo iOS 7 estivessem sendo transmitidos para qualquer
governo. "Conforme já dissemos antes, a Apple nunca trabalhou com
qualquer governo de qualquer país para criar uma backdoor em qualquer de
seus produtos ou serviços". "Nós também nunca demos acesso aos nossos
servidores. E nunca o faremos. Esse é um item extreamemente importante
para nós", completa o texto.
"Efeito Snowden"
A resposta da Apple claramente tenta afastar a empresa e seus
usuários de qualquer associação com o chamado "Efeito Snowden" - nome
derivado do ex-contratado da National Security Agency (NSA), Edward
Snowden, que revelou o esquema global de espionagem da NSA e coleta de
dados de cidadãos nos EUA e ao redor do mundo
Obviamente, é também possível que a resposta rápida esteja associada
ao presumido lançamento de novos modelos de iPhone até setembro, um dos
quais poderia ter uma tela maior, um recurso largamente requisitado por
consumidores da China e outros mercados da Ásia. Muitos analistas
acreditam que com telas maiores - 4,7 polegadas ou ainda maiores - a
Apple venderia um número muito maior de iPhones na região.
Via: Macworldbrasil
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