A gente sabe, a União Europeia bate pesado quando o assunto é
regulação de mercado frente a monopólios. A Microsoft engoliu um belo
sapo anos atrás com o Internet Explorer por lá, assim como o Google não
morre de amores pelos oficiais europeus e em especial os alemães, que
são bem mais rígidos nesse aspecto do que seus vizinhos. Tanto é que o
Escritório Federal Anticartel de lá considera a possibilidade de regular
a gigante das buscas como uma companhia elétrica ou de fornecimento de
água.
A agência alemã preparou um documento de 30 páginas enumerando
algumas alternativas sobre o que fazer frente ao domínio do Google no
que diz respeito às buscas online, o grande motivo de porque a UE não
morre de amores pela empresa. Hoje mais de 90% do dinheiro de Mountain
View vem de ads, e a empresa já se recusou diversas vezes a ase adequar
às normas de qualquer governo. Entretanto na Europa, principalmente na
Alemanha o buraco é mais embaixo, e uma das alternativas para colocá-la
nos eixos seria passar a tratá-la como um monopólio natural, da mesma
forma que uma companhia elétrica ou uma fornecedora de água. A partir
daí os produtos do Google seriam tratados como “commodities”.
Brett Sappington, diretor da Parks Associates reconhece que o
movimento dos alemães é estranho e complicado, mas pode ser uma
alternativa para regular fortemente as políticas do Google na Alemanha e
porventura na Europa, principalmente no que diz respeito a diminuir a
visibilidade de outros motores de busca: como o governo acompanharia os
passos da empresa bem de perto, ela obrigaria a exibição de resultados
dos concorrentes de forma justa e sem tramoias. O que acho difícil de
acontecer é que se caso Mountain View passe a ser tratada como um
monopólio natural ela acabe fragmentada em várias: há mecanismos do tipo
para essas empresas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos; foi o
que aconteceu em 1982 com o Bell System.
Falando francamente, é óbvio que essa atitude dos europeus visa
interesses próprios. Nos últimos anos as principais empresas de
comunicações do Velho Mundo não são europeias, mas principalmente
norte-americanas e asiáticas. Jean-Claude Juncker, o novo presidente da
Comissão Europeia é muito mais voltado às políticas internas e tudo leva
a crer que ele também defenderá a expansão de soluções europeias frente
às estrangeiras na área tecnológica, o que reforça a possibilidade de
que o Google vai pastar ainda mais por lá.
Procurados, tanto o Google quanto o escritório alemão não comentaram o assunto.
Via: Meiobit
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