Testei o LG G Flex por 15 dias, com sua gigantesca tela P-OLED de 6 polegadas e um formato curvo que se adapta ao rosto (e ao bolso)
do usuário, além de uma traseira com uma camada auto-regenerativa para
proteção contra arranhões. Uma das primeiras impressões é que o G Flex é
um aparelho surpreendentemente leve para seu tamanho, pesando apenas
177 gramas. A câmera de 13 megapixels tira boas fotos com cores vivas,
que ficam melhores ainda quando exibidas na tela P-OLED, que chama muito
a atenção, mas nem sempre por um bom motivo.
Na tela P-OLED, o vidro usado nos OLEDs é trocado por plástico, o que
permite que ela seja curva. A tela tem a proteção de uma fina camada de
vidro Gorilla Glass da Corning, que também é flexível. A bateria usada
no G Flex é curva, e a LG garante que esta é a primeira do seu tipo
produzida no mundo. No papel, tudo isto soa muito bem, mas infelizmente,
o smartphone também tem problemas decorrentes da tecnologia usada
na tela.
O grande truque do design em curva do G Flex é a tela P-OLED, mas até
por ser o primeiro aparelho a usar esta tecnologia, infelizmente é
possível perceber uma certa textura quando o brilho não está
praticamente no máximo, o que não é recomendável para quem quer poupar
bateria. A tela que supostamente é o ponto forte do G Flex, poderia ter
uma resolução maior do que os 1280 × 720 pixels. Sim, é uma resolução
inferior à do LG G2 em uma tela muito maior, onde a densidade de pixels
fica prejudicada, com apenas 245 pontos por polegada.
Quando você muda de uma imagem escura para algo claro, também pode
ver um traço da imagem anterior na tela, possivelmente causado pela
tecnologia P-OLED do G Flex. Este é o preço que se paga por um aparelho
que é praticamente um protótipo, mas que também tem coisas boas. Como
disse no começo do texto, a proposta da curva é oferecer mais imersão ao
usuário, seja assistindo a um vídeo ou jogando um game, e no dia a dia,
isso realmente acontece. Na hora de usar o aparelho sob a luz do sol, o
design curvo também facilita a tarefa de se livrar dos reflexos na
tela.
Segundo relatos, também é possível se sentar com o G Flex no bolso de
trás sem problemas, mas eu definitivamente não recomendo, assim como
ficar esticando o aparelho para depois ver ele voltar para o seu formato
em curva. Para quem for fazer isto de qualquer forma, fica um aviso:
isto tende a gerar pequenas bolhas na tela, que se não atrapalham tanto
na teoria, na prática vão tirar toda a graça de olhar para o G Flex.
Segundo a LG, as bolhas desaparecem depois de um tempo, ou podem ser pressionadas para sumir, mas melhor ainda é não deixar que elas apareçam.
Equipado com processador quad-core Snapdragon 800 e GPU Adreno 330 (assim como o LG G2),
o G Flex é bem rápido e estável. A bateria de de 3.400 mAh também dá
conta do recado, a não ser que você aumente demais o brilho na tentativa
de compensar a textura na tela. Antes de testar e ver o resultado com
meus próprios olhos, eu achei que a tal camada protetora na parte de
trás era só um truque de marketing, mas o recurso realmente funciona,
desde que o arranhão não seja muito grande. Não recomendo que o
proprietário do G Flex teste a proteção para ver se ela funciona, apenas
que agradeça por ela existir.
A largura de 81 mm torna impossível usar o aparelho com uma só mão,
por isto sugiro nem tentar para não causar um acidente. Com todo seu
tamanho, os botões na lateral não fariam sentido, assim o G Flex conta
com o mesmo esquema de colocar todos os botões centralizados na parte de
trás do seu irmão menor, o G2. Ele é tão grande, que por vezes é
difícil alcançar o botão, mas depois de alguns dias de uso, você acaba
se acostumando com isto, assim como com o tamanho da tela.
Confesso que não sou o usuário ideal para testar deste tipo de
smartphone, pois prefiro algo menor. Depois de um mês de experiência
testando os duelistas da foto acima, G Flex e o Nokia 1520 (leia o review do Cardoso), devo
dizer que a minha opinião foi reforçada, mas a verdade é que uma tela
de 6 polegadas também pode ter seus atrativos, mesmo para quem não é
fotógrafo ou trabalha com edição de vídeos.
A LG diz que uma das vantagens do formato em curva é que o G Flex se
encaixa melhor no seu rosto, e isto é a mais pura verdade. Para quem não
vê sentido em um produto como este, se eu quisesse ter um aparelho com
uma tela tão grande, acredito que iria optar por um com design curvo,
desde que resolvidas as questões da tela, algo normal para uma primeira
versão da tecnologia P-OLED, mas que acaba penalizando o consumidor que
está pagando um preço acima da média mesmo para um topo de linha.
Infelizmente o aparelho vem com o Android 4.2.2 Jelly Bean, com uma
interface proprietária que é muito grande e pesada, deixando menos de 24
GB livres para o usuário, muito pouco perto dos 32 GB originais. Como
ele não tem slot para cartões micro-SD, isso pode fazer a diferença. Existem indícios
de que a LG pode liberar em breve um update para o Android 4.4 KitKat
que daria a capacidade de gravar vídeos em 4K com a câmera, além do uso
do Knock Code, mas por enquanto, nada feito.
Com todos os seus defeitos, o G Flex tem o seu lugar no mercado por
ter muita personalidade, e por ser tão diferente de seus concorrentes.
Como o G3 deve ser lançado neste mês (lá fora),
é possível que a gente veja no segundo semestre uma segunda versão
melhorada do G Flex, quem sabe corrigindo os seus defeitos. Hoje em dia,
os smartphones com telas gigantes trazem um grande apelo para aqueles
que preferem não levar o tablet na mochila, resolvendo todas as suas
necessidades com seu smartphone. Não à toa que este é o segmento que
mais cresce no mercado mobile, e que até mesmo a Apple estaria pensando
em lançar duas versões do iPhone, uma delas com uma tela muito maior do
que a atual.
Mesmo que eu ache a tela grande demais, fique meio chateado com a textura nas imagens, não concorde com o preço (que é bem salgado), ou precise me acostumar mais com o design curvado, reconheço que a LG foi ousada neste lançamento. Se você gostou, pode
comprar o G Flex no Submarino com um desconto sobre o preço original de
R$ 2.699 com desconto especial por R$ 2.307,65 no boleto (preço válido por tempo limitado).
Confira as especificações completas do G Flex no GSM Arena, ou no site da LG Brasil.
Via: Meiobit
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