A ideia por trás da chamada casa conectada é conectar sistemas de aquecimento, iluminação e aplicações como refrigeradores com a Internet para que eles possam ser usados de maneira mais eficiente e controlados remotamente. No processo, as empresas podem coletar mais dados sobre os hábitos das pessoas, algo que o Google adora.
O preço da Nest nessa aquisição mostra que o Google quer falar de negócios: 3,2 bilhões de dólares em dinheiro. Se o acordo for aprovado – o que a gigante espera que aconteça nos próximos meses – será uma das maiores aquisições desde que a empresa de Mountain View comprou o YouTube por 1,6 bilhão de dólares em 2006. O Google está interessado na Nest desde 2011 pelo menos, quando liderou uma rodada de investimentos na companhia, seguida por outra no ano seguinte.
Nest
A Nest fabrica um monitor de termostato e de fumaça e monóxido de carbono que pode ser controlado via Wi-Fi com um smartphone, e que pode se reprogramar sozinho com base no comportamento da pessoa. A empresa foi fundada em 2010 e tem mais de 300 funcionários espalhados por três países. Um bom número dos seus profissionais, incluindo o CEO Tony Fadell, são ex-funcionários da Apple.
Então por que o Google está disposto a gastar tanto por uma empresa tão jovem? Para começo de conversa, provavelmente viu vários engenheiros talentosos que podem ajudar a empresas a entrar em um novo mercado que vem crescendo. Também pode estar de olho em um pontapé inicial para ter um papel maior em conectar todos os aparelhos eletrônicos residenciais, sejam termostatos ou talvez um dia o forno do seu fogão.
“Essa é uma nova área para o Google, representando um desejo de tirar vantagem de todos os aparelhos”, afirmou o diretor de tecnologia do consumidor da consultoria Creative Strategies, Ben Bajarin. “O Google quer ter sua própria plataforma para esse mundo de coisas conectadas.”
A empresa de Mountain View certamente quer uma presença maior na casa das pessoas – tanto que já mostrou isso por meio de outros produtos. Recentemente, o Google lançou o Chromecast, um aparelho de streaming portátil que custa 35 dólares nos EUA e permite exibir filmes, séries e outros conteúdos na sua TV – é a resposta da empresa para a Apple TV. Além disso, também opera a Google Play Store, fornecendo todos os tipos de opções de entretenimento, como filmes, livros, apps e games.
Em seu próprio site, o Google mantém uma página de “dicas” voltada para os seus serviços residenciais, como a melhor maneira para usar o Google+ para “deixar a família mais próxima”.
Conectar aplicações residenciais é um mercado emergente em que o Google não quer ficar para trás. O timing do anúncio – no primeiro dia útil após o evento de tecnologia CES – é interessante. Nessa feira, a casa conectada foi um dos principais temas.
Sua casa está ganhando um cérebro
Entre as empresas entrando no mercado, a Samsung anunciou que está desenvolvendo uma plataforma de software para conectar aplicações residenciais. A empresa sul-coreana possui uma ligeira vantagem de algumas maneiras, uma vez que lidera o mercado de smartphones – o aparelho pelo qual muitas dessas aplicações serão controladas – e é uma grande fabricante de aparelhos como refrigeradores e máquinas de lavar.
Ao comprar a Nest, o Google vai colocar suas mãos em uma das startups mais faladas desse segmento no último ano, o que aconteceu muito graças ao “pedigre Apple” da companhia.
Além disso, o Google já está trabalhando para conectar outros tipos de aparelhos. A empresa recentemente anunciou seu Open Automotive Alliance, que vai levar o sistema Android para os carros neste ano, tornando-os inteligentes.
Mas se o Google também tiver informações melhores sobre como interagimos com aplicações residenciais, imagine as possibilidades. A casa é o “grande pedaço” do quebra-cabeça de aparelhos conectados, afirmou o presidente da Endpoint Technologies Associates, Roger Kay.
Imagine quão mais relevantes o Google seria na hora de fazer seus anúncios publicitários caso tivesse mais informações sobre os hábitos das pessoas em casa. “O Google é uma empresa de publicidade e está coletando o máximo de informações possíveis”, afirmou o analista Bajari, da Creative Strategies. Faz sentido, afirma, o Google querer olhar mais de perto o que as pessoas estão fazendo em casa.
“É sobre criar essa relação em casa com o consumidor”, afirmou o analista da consultoria Forrester Research, James McQuivey.
Uma presença maior na casa das pessoas levantaria mais questões questões de privacidade. Pouco após o anúncio, o cofundador da Nest, Matt Rogers, usou o blog da empresa para explicar a questão.
“Nossa política de privacidade claramente limita o uso das informações dos usuários para fornecer ou melhorar os produtos e serviços da Nest. Sempre levamos a privacidade muito a sério e isso não vai mudar”, afiirmou.
Até onde o Google vai tentar expandir sua marca nessas aplicações residenciais, e como vai usar esses dados, é algo que ainda veremos.
Via: IDGNow
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