As autoridades de inteligência dos Estados Unidos afirmaram nesta
terça-feira (29) que defendem a vigilância de líderes de outros países,
dizendo que tais esforços são uma prática comum entre as agências de
inteligência do mundo.
Os esforços de vigilância centrados na descoberta dos planos de
outros líderes nacionais têm há tempos feito parte dos esforços de
espionagem dos Estados Unidos e de outros países, afirmou o diretor de inteligência nacional
dos EUA, James Clapper, em resposta à pergunta de um deputado sobre as
informações liberadas pela imprensa sobre os EUA estarem espionando as conversas telefônicas de líderes de outros países.
Sem comentar sobre a vigilância de líderes específicos, Clapper disse
que a focar em líderes estrangeiros tem sido um "princípio básico" de
esforços de inteligência de muitos países nos últimos 50 anos.
Os líderes estrangeiros, por sua vez, criticaram os esforços dos EUA,
que talvez estejam ignorando seus os esforços de suas próprias agências
de inteligência, disse a Comissão de Inteligência da Câmara de
Representantes dos EUA.
"É algo novo e diferente a comunidade de inteligência
tentar focar nas intenções dos líderes estrangeiros para tentar
determinar qual é a melhor política a ser aplicada para os Estados
Unidos?", perguntou o representante Mike Rogers, republicano de Michigan
e presidente do comitê.
"É uma das primeiras coisas que eu aprendi na escola [de
inteligência] em 1963", respondeu Clapper. "É um princípio fundamental
de business intelligence".
Rogers perguntou se aliados dos EUA tinham como alvo as comunicações
dos dirigentes norte-americanos. "Absolutamente", disse Clapper.
Clapper e o general Keith Alexander, diretor da Agência de Segurança
Nacional dos EUA, também discutiram sobre informações dadas pela
imprensa, dizendo que a agência estava coletando o conteúdo de
telefonemas e comunicações de Internet de milhões de europeus.
Relatos sugerem que esses números foram baseados em uma leitura
errada de uma imagem divulgada pelo ex-funcionário da NSA, Edward
Snowden, disse Alexander.
Em muitos casos, os números reportados foram baseados na coleta feita
por agências de inteligência de outros países e compartilhados com a
NSA, disse Alexander. Os relatos da imprensa dizendo que a Agência
estava coletando as informações eram "completamente falsos", disse ele.
Rogers se queixou sobre as reportagens da grande mídia sobre a NSA
estar espionagem outros líderes nacionais, dizendo que "certamente criou
uma equívoco internacional" baseado em "um relato pobre e bastante
impreciso".
NSA coleta de registros de telefone em massa
O representante James Langevin, democrata da Rhode Island, perguntou a
Clapper e a Alexander sobre o impacto das propostas para acabar com a
coleta de registros telefônicos em massa pela NSA nos EUA. No início
dessa terça-feira, um grupo de mais de 85 parlamentares apresentou um
projeto de lei que acabaria com o programa de registros de telefone.
O fim do programa seria um retrocesso na inteligência dos EUA aos
níveis de informações disponíveis antes dos ataques terroristas de 11 de
setembro, disse Alexander.
"Se acabarmos com esse programa, criaremos uma lacuna", disse. "O que
você está me perguntando é existe um risco? A resposta é sim. Sabemos
desse risco, porque é onde estávamos em 11/9."
Seria errado mudar o programa por causa da percepção de violações das
liberdades civis, quando a comunidade de inteligência não "articulou o
programa bem o suficiente para que as pessoas entendam como proteger sua
privacidade", disse Alexander.
Enquanto Clapper, Alexander e outros funcionários da inteligência
enfrentam um painel em grande parte amigável dos legisladores na
terça-feira, a Representante Jan Schakowsky, democrata de Illinois,
sugeriu que Alexander estava interpretando mal as críticas dos programas
de vigilância.
Enquanto Alexander salientou que os funcionários da NSA são "patriotas", ninguém sugeriu que eles não eram, disse ela.
"As pessoas têm questionado as políticas da NSA... e elas têm sido realizadas por patriotas", disse ela.
A vigilância de líderes estrangeiros da NSA foi mantida afastada dos
comitês de inteligência do Congresso, disse Jan. As relações
diplomáticas norte-americanas têm sofrido por conta dos esforços de
espionagem, acrescentou.
"Haverá mudanças" para os programas da NSA, disse Clapper e
Alexander. "O que eu ouvi de você foi uma defesa robusta, eficaz, do
status quo."
Via: IDGNow

Nenhum comentário:
Postar um comentário