O tema é batido, mas os 2 debatedores (Thom Holwerda, do OS News, e
Jon Buys, do OStatic) reuniram boa parte dos argumentos que já ouvi em
suporte a cada uma das posições.
Começou com o post do Thom ("Android is Linux"),
que chama de equívoco a ideia de que o Android compete com o Linux,
afirma que o Android é tão Linux quanto o Ubuntu, Debian, Red Hat ou qualquer outra coisa que use o kernel Linux.
Para ele, o Android é uma distribuição de Linux e, em suporte a essa afirmação, ele apresenta a definição de "Linux distribution", da Wikipedia.
Curiosamente, eu acredito que o Android não se encaixa tão bem na
definição de distribuição Linux escolhida pelo Thom, porque não atende
tão bem1 ao requisito de ser Unix-like – não é questão de ser uma implementação incompleta, mas sim de opção por não implementar todas as interfaces. Nem a Bionic2 nem o Toolbox3
procuram implementar na íntegra as definições do POSIX, e até por uma
razão bem simples: a máquina virtual Dalvik dispensa alguns dos recursos
e – especialmente para um sistema operacional móvel – quanto menor for a
libc, melhor.
Para crédito do Thom, entretanto, não há dúvida de que o Android é
pelo menos em boa parte Unix-like (e até implementa boa parte do que o
POSIX define), o que justifica a defesa de que ele seja, afinal de
contas, uma distribuição Linux.
A resposta veio no artigo do Jon ("On Android being Linux"),
que procura se afastar da mera questão de o Android satisfazer ou não o
conceito de distribuição Linux, rejeita o critério de o kernel do
Android ser um fork do Linux como elemento suficiente para
caracterizá-lo como sendo um par das distribuições mais conhecidas do
desktop, lembra a nomenclatura preferida pela FSF (na qual o Android não
se enquadra, acredito) e traz a outra afirmação essencial do debate: o Android é distribuído como um ecossistema profundamente diferente do que vem com as típicas distribuições.
Segundo Jon, criar um sistema ao redor do kernel Linux não basta para
atender às expectativas que as pessoas expressam ao falar sobre ser um
usuário de Linux. O usuário espera disponibilidade de modificar qualquer
parte do sistema operacional, algo que até pode ocorrer com as imagens
de software distribuídas diretamente pelo Google, mas é pouco frequente
com as que são incluídas na configuração default de vários fabricantes.
Ele também cita alguns pontos da filosofia de governança do Android, incluindo o trecho em que o projeto afirma não ver a si mesmo como uma distribuição.
Ao final, ele conclui da mesma forma que eu: o Android "ser" ou "não
ser" "Linux" é um detalhe técnico sujeito a interpretações variadas, e é
secundário em relação a outras diferenças entre populares agregados de
software agrupados ao redor do Linux, ou mesmo a aspectos que
transcendem a questão do kernel, como se devemos confiar em uma empresa
de publicidade para construir o sistema instalado em dispositivos que
sabem como somos, onde estamos, com quem falamos e o que queremos
comprar. Imagino que ele ache que não, mas tenho certeza de que bastante
gente acredita que sim, ou que é melhor confiar na empresa de anúncios
do que em alguma outra da qual particularmente não gostam.
Via: br-linux
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