A Agência Nacional de Segurança (NSA)
dos Estados Unidos possui inúmeras capacidades de vigilância e
monitoramento, como documentos revelados por Edward Snowden,
ex-funcionário da agência, mostram. As capacidades variam desde o
monitoramento da internet até chamadas telefônicas, mas uma nova reportagem do The Washington Post revela que o órgão também é capaz de rastrear celulares até mesmo desligados.
A reportagem tem como principal foco o crescimento da NSA
e de seu programa de espionagem eletrônica após os atentados
terroristas contra as Torres Gêmeas em Nova York, no dia 11 de setembro
de 2001. No entanto, em meio à análise dos fatos, a reportagem revela
que a agência desenvolveu em setembro de 2004 uma técnica chamada 'The
Find' (algo como O Achado, em tradução livre) para agentes de operações
especiais.
Segundo o jornal, a técnica foi usada no Iraque e
"permitiu que a agência encontrasse a localização de telefones celulares
mesmo quando eles estavam desligados". Com isso, o governo
norte-americano foi capaz de identificar novos planos e novos
integrantes que entravam para a Al-Qaeda, como revelaram alguns membros
da unidade de operações especiais da NSA.
Não
fica claro na matéria como a técnica funciona, mas normalmente para se
espionar telefones celulares mesmo quando eles estiverem desligados é
necessário infectar o aparelho com um Trojan e forçá-lo a continuar
emitindo sinal mesmo desligado, a não ser que a bateria seja removida.
Na maioria dos casos (e sem uma intervenção desse tipo), quando os
usuários desligam seus dispositivos móveis sem retirar a bateria, ele
para de se comunicar com as torres de telefonia celular mais próximas e o
aparelho pode ser rastreado apenas até o local onde ele foi desligado.
De acordo com o Slate,
em 2006, foi reportado que o FBI havia instalado um spyware em
telefones celulares de suspeitos para continuar monitorando suas
atividades mesmo quando o aparelho estivesse desligado. É provável que a
NSA tenha utilizado uma técnica
parecida no Iraque, embora em uma escala muito maior, para rastrear as
atividades de milhares de usuários ao mesmo tempo.
Mesmo sendo um
processo difícil, a infecção de milhares de aparelhos celulares por um
Trojan já foi vista antes. Em 2009, centenas de usuários BlackBerry
foram alvos de um spyware nos Emirados Árabes que estava mascarado de
uma atualização legítima do sistema. A falsa atualização prejudicou o
desempenho da bateria dos aparelhos e foi identificada por especialistas
em segurança como tendo sido feita, aparentemente, pela empresa
norte-americana SS8, que fornece "ferramentas legais de interceptação"
para governos.
A NSA, por sua vez, afirma que o banco de dados
que mantém com ligações telefônicas efetuadas pelos norte-americanos
não inclui informações de localização. Mas, a notícia de que a agência
possui uma técnica de rastreamento poderá ampliar as discussões sobre a
dimensão do programa PRISM.
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