Quem produz ou carrega vídeos para o YouTube terá mais chances de apelar para conteúdo original ou dentro do fair use em casos de reclamações. O Google alterou as políticas do processo de banimento dos vídeos por violações de direitos autorais.
Por
meio do Content ID o YouTube identifica automaticamente vídeos de
músicas, shows, filmes e diversos outros materiais dos grandes estúdios.
Mais de 3 mil produtores já enviaram gravações que, juntas, passam
facilmente das 500 mil horas. O processo de verificação dos vídeos é
feito de forma automática na maioria dos casos, e a ação a ser tomada
depende do produtor do conteúdo: pode resultar na exclusão do vídeo, na
exibição de anúncios (com retorno financeiro para o produtor original)
ou no bloqueio em determinados países. Em casos mais graves o canal
ganha um strike, e no terceiro o canal é fechado.
Na
sua forma atual o site dificulta o processo de apelações quando o dono
do canal acredita que houve um equívoco ou má fé. Falso-positivos são
comuns, tanto intencionais como acidentais. Um exemplo ridículo recente
se deu com um vídeo relacionado ao Curiosity, que foi bloqueado no site
por uma reinvidicação de direitos autorais de uma gravação em domínio
público da NASA, utilizada em vários outros vídeos. Um outro
foi um vídeo em que o Barack Obama cantava um trecho de uma música,
algo que pode ser visto como "fair use", uma exceção aos direitos
autorais prevista nas leis dos EUA.
Mas
o que mudou, de fato? Com a nova política as ações automáticas via
Content ID continuam, mas agora o processo de apelação ficou mais
prático. Se um pedido de remoção for feito indevidamente, seja
automático ou manual, o dono do canal pode apelar da decisão. O reclamante terá apenas duas opções: liberar o uso do vídeo em questão ou emitir uma notificação DMCA
formal. No primeiro caso o vídeo é restaurado e fica tudo certo: o
reclamante concorda que o vídeo não viola seus direitos, que foi um
equívoco ou uso mínimo permitido de algum dos seus materiais. No segundo
o vídeo pode ser removido e a conta ganha um strike. No terceiro strike
o canal é fechado, e isso continua exatamente da mesma forma.
Os strikes podem expirar
depois de alguns meses dependendo do status da conta, desde que novos
strikes não sejam aplicados até lá. O novo modelo de apelação só estará
disponível para usuários "qualificados": não é para todo mundo.
Especialmente qualificados são os que nunca tiveram problemas com
direitos autorais no YouTube, mas os termos exatos das contas
qualificadas não são divulgados e podem ser alterados ao longo do tempo.
Na
prática a medida visa evitar o abuso das ferramentas que os produtores
de conteúdo têm para reclamar sobre vídeos que violam seus direitos. No
modelo anterior era muito fácil solicitar a remoção de um vídeo. Agora
caso o usuário apele, o vídeo só será removido se o detentor dos
direitos autorais emitir uma notificação DMCA formalizada. Isso é
importante porque neste caso os contatos do reclamante serão enviados
também ao dono do canal, que pode optar por processá-lo (pelo menos nos
EUA), caso entenda que a remoção foi abusiva e que não havia violação. É
uma forma de incentivar as grandes produtoras de conteúdo a apenas
solicitar a remoção de materiais que claramente violam seus direitos
autorais, não daqueles que podem ser enquadrados no "fair use".
Ah,
o Content ID também está sendo aprimorado para evitar boa parte dos
falso-positivos. Alguns casos ficarão numa fila para análise manual.
Os
resultados práticos ainda são questionáveis. Com três strikes a conta
pode ser removida. Um mesmo produtor de conteúdo original que
eventualmente utilize algo dentro do "fair use" pode perder o canal se
pelo menos três vídeos dele forem derrubados. Quem participa do YouTube
infelizmente está sujeito a isto. O Google não fazia muita coisa para
mudar esse cenário, mas esta alteração parece ser o início de maiores
mudanças, já que passaram a ouvir mais as queixas da comunidade.
O anúncio foi feito no blog do YouTube, e contém os outros links relacionados. Este vídeo do serviço pode ajudar a orientar os novatos, facilitando a identificação do que é considerado ou não violação.
Uma outra fonte boa de consulta sobre o tema é o site http://fairusetube.org/ (em inglês).
Via: Hardware
Via: Hardware
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