Embora
a versão global do Galaxy S III venha com um SoC de fabricação própria,
o Exynos 4 Quad, a versão LTE do aparelho, destinada a mercados
específicos como o Japão, Canadá e EUA adota uma configuração bem diferente, com um SoC Qualcomm Snapdragon S4 MSM8960 dual-core, que combina dois núcleos Krait operando a 1.5 GHz.
A
mudança surgiu devido ao fato de a Samsung no momento não possuir um SoC
com um módulo LTE integrado. Naturalmente, poderiam muito bem combinar o
Exynos 4 Quad com um módulo LTE externo, mas isso elevaria o custo do
aparelho, sem falar na redução na autonomia da bateria. Adotando o chip
da Qualcomm a Samsung cnseguiu manter ambos os fatores sob controle.
O
Krait é uma versão modificada do Cortex A9 desenvolvida pela Qualcomm.
Ele oferece um desempenho por núcleo sutilmente superior à versão usada
pela Samsung e o MSM8960 oferece um consumo relativamente modesto devido
à técnica de produção de 28 nm, compensando o consumo adicional
introduzido pelo uso do LTE.
A
frequência de operação adotada pela Samsung também é um pouco superior,
1.5 GHz contra os 1.4 GHz do Galaxy S III internacional, mas não podemos
esquecer de que se trata de um SoC dual-core, e não quad-core como o
usado na versão internacional. Acabamos então tendo a velha comparação
entre um aparelho com um chip dual-core com um pouco mais de
processamento por núcleo e operando a uma frequência ligeiramente
superior, que leva vantagem em aplicativos single-thread e que fazem uso
leve de multiprocessamento e outro com um chip quad-core operando a uma
frequência ligeiramente inferior, que ganha em processamento bruto e em
multitarefa.
Para
adoçar a oferta, a Samsung optou por aumentar a RAM na versão LTE,
oferecendo 2 GB completos, cortesia de um chip da própria Samsung
montado diretamente sobre o SoC. Apesar de parecerem um exagero à
primeira vista, os 2 GB são realmente uma vantagem, já que permitem que o
aparelho mantenha mais aplicativos carregados na memória
simultaneamente, melhorando um pouco a fluidez do sistema (por permitir
que mais aplicativos fiquem carregados diretamente na memória) e aumenta
sutilmente a autonomia da bateria, por evitar que o sistema precise
ficar abrindo e fechando aplicativos. Em resumo, não é uma vantagem
crucial, mas não deixa de ser uma evolução.
Naturalmente,
não podemos esquecer que a grande diferença entre os dois aparelhos não
reside na performance do SoC mas sim no uso do LTE, que é um salto
geracional em relação ao 3G que ainda usamos no Brasil. A rede da
Verizon, nos EUA, por exemplo, oferece taxas de download
consistentemente na casa dos 10 a 30 megabits, com latências na casa dos
100 ms, que se não fossem pelas quota de tráfego seria preferível à
maioria dos planos ADSL. Qualquer usuário móvel que se preze preferiria
ter acesso a uma rede de dados mais rápida do que um aparelho com um
pouco mais de processamento.
A adoção do LTE no Brasil foi retardada pelos grandes investimentos
em estrutura 3G feitas pelas operadoras nos últimos anos, mas espera-se
que os primeiros focos de cobertura estejam funcionando a tempo da copa
do mundo, pelo menos nas capitais que sediarão os jogos. Quando ele
finalmente chegar, teremos mais uma rodada de upgrades nos aparelhos.
Por sinal, os smartphones já estão representando uma fatia considerável
da classe média, superando de longe os gastos com desktops e notebooks.
Com aparelhos cada vez mais caros e upgrades cada vez mais frequentes
isso tende a apenas aumentar.
Via: Hardware
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