Há alguns dias a Microsoft divulgou detalhes do Windows Media Center
para o Windows 8. Este só estará disponível como um addon pago para o
Windows 8 Pro. Quem estiver usando o Windows 8 comum (sem o "Pro")
precisará primeiro migrar para o Pro, o que pode ser feito com o Windows
8 Pro Pack. Ele já vem com o Media Center. No caso, o Windows 8 Pro
with Media Center não é uma nova edição do Windows - ele acaba lembrando
os tempos do Windows 95 com o Plus.
O Windows 8 vendido no varejo não reproduzirá DVDs nem Blu-ray. Nos
PCs prontos e notebooks isso dependerá do fabricante, que deve arcar com
os custos de licenciamento.
Os motivos para isso são simples: a Microsoft alega que o uso da
mídia física vem caindo consideravelmente, e que o Windows Media Center
tem poucos usuários. Como ela precisa pagar a licença dos codecs a conta
final acaba saindo muito cara: toda cópia do Windows incluir o codec
acaba sendo um desperdício, já que pouca gente acaba de fato usando.
Para tocar DVD, por exemplo, é necessário um codec MPEG-2 e de som
Dolby Digital. Ela não revelou o valor para o Dolby já que varia
dependendo do dispositivo e volume, mas a MPEG-LA cobra $2 dólares por
unidade que incluir o decodificador de MPEG-2. Incluir isso para todos
os PCs com Windows geraria um custo de várias centenas de milhões de
dólares para o "ecossistema dos PCs".
Não ficou claro se a redução no custo será repassada ao consumidor
final ($2 ou $5 dólares na licença do Windows e nada são praticamente a
mesma coisa), mas assim a MS pode economizar mais, sem prejudicar quase
ninguém. Fabricantes de computadores e notebooks poderão optar por
incluir os codecs, arcando eles mesmos com os custos. Também é comum
comprar um leitor ou gravador de DVD/Blu-ray e receber um CD com
software para reproduzir o conteúdo, já com os devidos codecs
licenciados pelo fabricante do hardware.
O Windows 8 ainda incluirá alguns codecs populares, como o container
MPEG para H.264 e som Dolby Digital Plus, amplamente usados para
streaming na web. Eles também precisam ser pagos, mas o custo acaba
sendo irrisório perto dos codecs associados às mídias físicas de DVD e
Blu-ray.
É bom lembrar que esta restrição só se aplica aos discos com conteúdo
multimídia usando tais codecs, normalmente filmes e séries. O Windows 8
suportará leitores e gravadores Blu-ray e DVD nativamente. Quem usa os
discos para gravar dados não deverá enfrentar problemas.
Uma sessão de perguntas e respostas frequentes
(FAQ) foi publicada na semana passada, explicando melhor as dúvidas
geradas com o anúncio anterior. Estes posts ainda não foram traduzidos
no blog em português.
Software livre como as várias distros Linux que incluem codecs para
uma infinidade de formatos de vídeos não sofrem essa restrição legal, já
que a maior barreira se dá nos Estados Unidos (e o software livre é
desenvolvido no mundo todo). Muitas distros não incluem os codecs para
evitar ameaças de processos, especialmente as baseadas nos EUA, mas é
fácil instalá-los - normalmente sem pagar nada.
Não é bem uma pirataria, mas quase, segundo o DMCA: trata-se da
questão de patentes de software. Para um software ou hardware ler os
formatos de arquivos relacionados aos padrões de DVD e Blu-ray (entre
outros) seu responsável deve ter sido autorizado pelos detentores dos
direitos (pagando em dinheiro);
estes que podem ser empresas ou
consórcios, ou ainda grupos de empresas (como a MPEG-LA).
O VLC, por
exemplo, escapa de processos por patentes de software por ser baseado na França. Fica difícil dele ser processado nos EUA, embora se fosse comercial a pressão provavelmente seria bem maior.
Via: Hardware
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